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Segundo dia de Seminário Nacional evidencia demandas e realidades do EBTT nas instituições federais

O segundo dia do IV Seminário Nacional do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT) foi marcado por diálogos que buscaram aprofundar a compreensão dessa carreira docente. Durante toda a sexta-feira (28) os presentes acompanharam mesas que tiveram como eixo central as especificidades e necessidades dos docentes do EBTT.

O dia teve início com apresentação cultural do diretor de comunicação do PROIFES-Federação, Jailson Alves. Em seguida, a diretora de EBTT do ADURN-Sindicato, Gilka Pimentel, contou a história da carreira passando pela sua criação, conquistas da Federação – como o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) – e seminários anteriores. “Os seminários são espaços de debate internos dentro do PROIFES-Federação, o que é muito importante”, disse.

Gilka ainda traçou um panorama dos docentes EBTT em todo o país. Os dados apresentados são resultado de um trabalho em conjunto com a vice-presidente do ADURN-Sindicato, Isaura Brandão, e com o diretor da mesma entidade, Dárlio Inácio, e estão registrados no E-book: EBTT – Quem Somos? Onde Estamos?, o material está disponível para consulta aqui.

“Nós construímos o caderno e a partir desse caderno nós levantamos dados e identificamos cada um dos segmentos que fazem parte da carreira EBTT, desde os institutos federais até as escolas de aplicação, as unidades de educação infantil, passando pelas escolas técnicas vinculadas e escolas militares”, explicou Gilka.

A segunda mesa do dia foi um diálogo institucional entre o Conselho Nacional de Diretores das Escolas Técnicas Vinculadas (Condetuf), representado pelo seu vice-presidente Zilmar Rodrigues; o Conselho Nacional dos Dirigentes dos Colégios de Aplicação (Condicap), representado pelo presidente Edilson dos Passos Neri; e o PROIFES-Federação, também representado pelo seu presidente, Wellington Duarte. O Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal (CONIF) foi convidado, mas não pôde comparecer à atividade. O debate foi mediado pela professora Fernanda Almeida (APUB). 

Duarte abriu a mesa falando sobre a importância das discussões e ressaltando que este já é o maior seminário do EBTT realizado pelo PROIFES. “O papel de uma federação de sindicatos é debater de forma propositiva todas essas questões que envolvem a vida laboral do docente com respeito às divergências”, afirmou.

O Presidente do Condicap, Edilson dos Passos Neri, trouxe uma fala sobre questões que impactam os colégios de aplicação, como  financiamento, carga horária docente, atuação do professor, e a inclusão dos colégios de aplicação na rede federal de ensino.

“Foi uma manhã muito produtiva em que nós pudemos dialogar sobre essas questões que são fundamentais para a carreira EBTT, para cada docente. São questões que, para além de orçamento, envolvem também o trabalho cotidiano docente nos colégios de aplicação”, ressaltou Edilson.

Já o vice-presidente do Condetuf, Zilmar Rodrigues, falou sobre a carreira EBTT no contexto das universidades federais. “A carreira tem nuances que se espalham em um contexto nacional, mas também passa por situações complicadas dentro das universidades”, afirmou. “Ainda hoje temos que fazer um exercício nos vários conselhos, vários espaços, do que é a nossa carreira”.

Entre os pontos abordados por Zilmar em sua apresentação, para além da luta que ainda é travada para consolidação da carreira, esteve a questão das dificuldades internas, que passam pela normatização sobre a carga horária. “Enquanto que no Magistério Superior isso é bem claro, bem definido desde 1996, no que concerne ao EBTT isso ainda é incerto”, exemplificou.

Outra particularidade mencionada pelo professor foi a de que o professor EBTT das universidades não pode exercer o seu papel de forma plena. Ele lembrou que atualmente, por exemplo, docentes do EBTT não podem se candidatar ao cargo de reitor.

Todas as mesas da manhã foram seguidas da participação dos docentes presentes, que tiveram a oportunidade de tirar dúvidas e de trazer questões relacionadas às suas respectivas realidades.

A programação da tarde teve início com apresentação musical do professor Gilson Saraiva (IFCE) que apresentou três composições autorais e fechou sua participação no evento cantando com o público a música Anunciação, do pernambucano Alceu Valença. 

Logo após, representantes dos sindicatos federados dos estados do Rio Grande do Norte (ADURN-Sindicato), Ceará (ADIFCE-Sindicato), Pará (SINDPROIFES-PA), Bahia (APUB-Sindicato), Santa Catarina (APUFSC), Paraná (Sindiedutec),  Rio Grande do Sul (ADUFRGS Sindical), e Goiás (ADUFG-Sindicato), falaram a partir da realidade de cada uma das suas bases sobre as  demandas da carreira EBTT após o último acordo.

Os representantes trouxeram informações relevantes sobre condições de trabalho, sobrecarga, fatores estruturais e organizacionais, nível de suporte da equipe técnica e da gestão, reposição salarial, entre outros pontos.

“Foi um momento de grande riqueza porque demandou da base dos sindicatos federados uma enorme quantidade de informações, de proposições, de encaminhamentos, para que a Federação possa assumi-las e transformar isso em ações e políticas para a defesa da categoria docente da carreira EBTT”, considerou o coordenador da mesa e diretor de EBTT do PROIFES-Federação, Romeu Bezerra.

Conferência

Finalizando a programação do dia, o professor da USP, Daniel Cara, proferiu palestra sobre o Ensino Médio e a formação das juventudes. A conferência foi mediada pelo professor Roger Elias (ADUFRGS Sindical). Daniel iniciou sua exposição reconhecendo a importância do trabalho desenvolvido pelo PROIFES-Federação no Fórum Nacional de Educação e nas mesas de negociação que “garantiram importantes conquistas para os trabalhadores”, afirmou.

Ao desenvolver o tema da palestra, o professor defendeu a tese de que para garantir o direito à educação a única possibilidade que temos é investir em tudo que interfere no ensino. Para o conferencista, a aprendizagem é uma aposta: “nós nunca temos a garantia de que o aluno vai aprender”, afirmou Daniel se referindo às diversas variantes que podem existir na vida do estudante e que podem interferir na sua aprendizagem, “um aluno com fome não tem condições de aprender”, exemplificou.

Em sua fala, Daniel Cara ressaltou que a  educação no Brasil precisa apresentar uma perspectiva para os jovens. Segundo o professor, isso só será possível “se a gente tiver a capacidade de juntar um processo de desenvolvimento nacional com uma política de educação”. De acordo com o docente, para que isso possa acontecer é preciso fazer com que a experiência dos professores, os desafios de cada sindicato e de cada liderança sindical sejam comunicados em Brasília.

Para Daniel, a demanda de um projeto de desenvolvimento para o país deve partir do mundo sindical, “especialmente da área da educação, pois é o que está mais próximo da área de desenvolvimento”, ressaltou.

O professor da USP ainda alertou para a forma como está sendo estruturado o Ensino Médio, através de uma estratégia de financeirização e privatização da educação profissional, enfraquecendo assim a agenda dos Institutos Federais. “Essa é uma agenda que não está sendo discutida pela sociedade brasileira”, afirmou.

A programação do IV Seminário Nacional do EBTT segue até o final da tarde deste sábado, 29, em Fortaleza/CE. Acompanhe a cobertura completa nas redes do PROIFES-Federação.

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