PROIFES na Resistência pela Democracia no Movimento Docente

Ontem, foi publicada a decisão do Tribunal Regional do Trabalho, 10ª. Região mantendo a SUSPENSÃO do registro Sindical do PROIFES-Federação. Imediatamente, as redes sociais foram invadidas com júbilo pelos que entraram com a ação, como se isso fosse, enfim, o fim da Federação como entidade que representa os interesses dos que trabalham na docência nas IFES. Diante do alarido, a Federação vem a público se manifestar sobre o fato em si, e como ela encara a situação, salientando que as ações persecutórias da ANDES reforçam a tese de que esta entidade sindical e seus eventuais parceiros trilham o perigoso caminho do autoritarismo. Olhando pela perspectiva histórica, em muito se aproxima de movimentos que ocorreram no meio sindical europeu, nas primeiras décadas do século XX. Salta aos olhos a incoerência de quem se arvora defensora da “unidade de ação”; que defende, o pluralismo sindical; e que se apresenta como a defensora dos direitos de todos os professores e professoras da educação superior deste país. A perseguição política e jurídica, e a utilização de meios que expressam a veia autoritária da entidade são provas é provas cabais que, ao pretender ser a única representação sindical docente, despreza a unidade de ação e joga por terra o argumento da defesa do pluralismo sindical, evidenciando seu perfil autoritário. Os ataques jurídicos, que somam mais de 60 processos, desde fevereiro de 2024, atacam as entidades filiadas e pessoas físicas, tentando impedir a atuação do Proifes-Federação, inclusive a participação em mesas de negociação, desconsiderando que aproximadamente 26 mil docentes são base dessa entidade. Isso mostra claramente que a ANDES busca exterminar essa representação política e sindical, que diverge de suas práticas centralizadoras e ultrapassadas, expressa na incompetência política de estabelecer negociações republicanas e de efetivamente trazer ganhos reais aos docentes. O PROIFES-Federação participa, desde 2006, dos processos de negociação de carreira e salários, resultando na reestruturação da Carreira e ganhos reais para todos os professores do Magistério Superior e do EBTT. A estratégia de extermínio sindical mostra o absoluto desprezo dessa entidade vertical pelas demandas da categoria. Ao buscar impedir a existência do Proifes Federação, esconde deliberadamente dos docentes sua face anacrônica e ultrapassada, onde prevalece a centralização das decisões e pouca habilidade no debate contraditório. A ANDES e seus parceiros sabem que a SUSPENSÃO do registro sindical do PROIFES-Federação é tão somente uma estratégia de desgaste. Parte dos docentes já percebeu que essa entidade nada mais tem a oferecer à categoria, a não ser retórica e ações truculentas e ofensivas contra os que defendem o respeito à divergência, o pluralismo e o convívio democrático. O PROIFES-Federação não se dobrará, não baixaremos as bandeiras de luta em prol da categoria. Essa luta não será vencida pelo autoritarismo e pela perseguição sindical. Temos o respaldo de milhares de docentes que decidiram caminhar conosco e não será com esse tipo de ação que retornaremos ao passado. Respeitosamente, discordamos do entendimento da sentença e continuaremos a buscar nossa legalidade de representação, considerando que a referida decisão não extinguiu a entidade. Confira a declaração do presidente Wellington Duarte:
Vitória nossa! Governo anuncia recomposição orçamentária das universidades

A pressão do PROIFES, das universidades, reitores e dos sindicatos federados ganhou força. Em reunião realizada em Brasília, o ministro da Educação, Camilo Santana, e o presidente Lula anunciaram a recomposição do orçamento das universidades, que será formalizada por decreto. Segundo o MEC, o pacote total chega a R$ 977 milhões, com destinação para o custeio das universidades, a assistência estudantil e a CAPES. A recomposição anunciada pelo governo Lula não caiu do céu. Ela é resultado direto da mobilização do PROIFES-Federação, junto aos sindicatos filiados, que atuou com firmeza para denunciar os cortes promovidos pelo Congresso e pressionar por uma resposta concreta do Executivo. Durante a tramitação da Lei Orçamentária Anual de 2026, o Congresso retirou R$ 488 milhões da verba destinada à manutenção das universidades federais, reduzindo o orçamento previsto de R$ 6,89 bilhões para R$ 6,43 bilhões. O impacto seria imediato e profundo, afetando o funcionamento cotidiano das instituições, insumos para pesquisa e extensão e, de forma especialmente grave, as bolsas de permanência estudantil, que sofreram redução próxima de R$ 100 milhões. Essa não é uma medida isolada. Desde o início do atual governo, o orçamento das universidades vem sendo complementado para mitigar os danos causados por cortes sucessivos do Legislativo. Em 2023, foram R$ 1,7 bilhão em suplementação. Em 2024, mais R$ 734,2 milhões. Para 2025, outros R$ 279,8 milhões. Mesmo assim, o subfinanciamento segue como problema estrutural. Os dados são claros. Desde 2014, as universidades federais perderam mais de 50% dos recursos discricionários, que passaram de R$ 17,19 bilhões para cerca de R$ 7,32 bilhões em valores corrigidos. Nesse vácuo, cresceu a dependência das emendas parlamentares. Em 2025, as 69 universidades federais receberam R$ 571 milhões em emendas, o equivalente a 7,2% da verba de custeio, quatro vezes mais do que em 2014. A recomposição anunciada é uma vitória em pauta antiga da Federação, e mostra que mobilizar é o caminho, com medidas viáveis e avanços concretos. O PROIFES-Federação seguirá na luta para garantir a universidade pública acessível, estável, como compromisso permanente do Estado, porque a educação não pode viver de remendos nem de favores orçamentários.
Emendas parlamentares sufocam a educação brasileira

Ao longo da última década, as universidades têm se deparado com desafios orçamentários cada vez mais complexos. Além dos tradicionais ajustes derivados de políticas econômicas contracionistas, universidades, institutos federais, CAPES e CNPq sofrem restrições anuais que tornam a gestão de recursos quase insustentável. Esse cenário impacta o cotidiano das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) e restringe sua atuação, desde a manutenção de políticas estudantis inclusivas até o tripé fundamental que as protagoniza no desenvolvimento do país: ensino, pesquisa e extensão. É alarmante verificar que as emendas parlamentares representem 73,5% dos recursos destinados aos investimentos públicos. São R$ 37,8 bilhões alocados em emendas impositivas, que obrigam a liberação pelo Executivo, valor equivalente a cinco vezes o montante inicialmente destinado às 69 universidades federais. Entretanto, após os cortes realizados pelo próprio governo (R$ 95,4 milhões) e pelo relator (R$ 392,7 milhões), esses valores recuaram para R$ 6,4 bilhões. Desde a adoção das emendas impositivas, em 2015, o orçamento brasileiro tornou-se indigesto para a educação; a introdução das emendas parlamentares fragilizou o sistema, dado que o Legislativo tomou para si boa parte dos recursos que deveriam ser geridos pelo Executivo. Enquanto a área educacional exigiria investimentos crescentes, o setor luta, no máximo, pela recomposição orçamentária, muito pouco para quem pretende ser uma nação soberana e protagonista no mundo. Em ano eleitoral, a avidez parlamentar por recursos tende a crescer, pressionando o orçamento e indicando que a “via crucis” das universidades continuará em 2027. A elaboração da peça orçamentária de 2028 dependerá de uma nova legislatura. Nesse contexto, cabe ao movimento docente ampliar as forças que rejeitam esse tratamento dado pelo Congresso, denunciar o torniquete orçamentário à população e insistir no diálogo com deputados e senadores, de modo a convencê-los de que a Educação Superior necessita de recursos suficientes para contribuir efetivamente com o desenvolvimento nacional.
VENEZUELA – REI MORTO, REI POSTO

Venezuela: Rei morto, Rei posto. Será? Primeiras impressões sobre os acontecimentos da Venezuela Ainda haverá muito a se dizer sobre o cirúrgico e certeiro movimento norte-americano, sequestrando o presidente da Venezuela na calada da noite. A fumaça ainda embaça os olhos dos analistas apressados e dos comentadores mais nervosos, afinal, foi a primeira vez que a armada ianque invadiu um país e sequestrou o presidente e sua esposa e, segundo o próprio Donald Trump, candidato a Rei do Mundo, “eliminou cubanos” que defendiam Maduro. Até agora, a contagem de corpos, fora os eliminados nos barcos do Mar do Caribe, chegou a mais de 40. Maduro era a representação máxima para a direita, da contestação do poder norte-americano no seu autoproclamado “quintal”. E era a representação mais odiada de uma esquerda que se arvora “democrática”, embora isso signifique aceitar a democracia liberal representativa aceita pelo Ocidente, mesmo que “democracia” seja uma palavra cuja flexibilidade chega a ser assustadora. Maduro, esse deviante da esquerda e ogro para a direita, nada mais era do que essa representação simbólica de um projeto para as Américas Latinas e Caribenha, o “chavismo” ou “bolivarianismo”. Foi derrubado com uma facilidade que ainda deverá ser analisada com mais calma. Trump avisou. Ele é um narcisista perigoso, cercado de imbecis belicistas, forrado pelos dólares do “Estado profundo” e pelo sistema bélico-militar dos EUA, que, de fato, impulsiona a decadente economia norte-americana. Trump avisou. Deu sinais. Não perdeu tempo. Fez renascer a velha “Doutrina Monroe”, de 1823, de James Monroe? Não acho. Na minha opinião, o que Trump seguiu foi a velha lógica da política exterior dos EUA, que remonta a Theodore Roosevelt Jr. (presidente de 1901 a 1909) e o seu Big Stick, o “grande porrete”, que estabeleceu a América Latina como seu quintal. Caso fossemos relatar todas as intervenções, diretas e indiretas, dos EUA nas Américas, teríamos que transformar esse pequeno e pueril comentário num livro. Não preciso fazer isso. Basta apenas olhar essa invasão dos EUA no caso da Venezuela como a retomada do “imperius rex”, em sintonia com a nova doutrina de segurança nacional. Tá tudo lá. Será que Maduro leu? Em meio à fumaça, as especulações começaram. Destas, algumas nos dão pistas. Mas apenas pistas. Ora, Carlos Andrés Pérez, presidente da Venezuela em duas ocasiões (1974-79 e 1989-93), recebia “salários” da CIA que, por sua vez, controla os negócios da PDVSA, tudo isso calçado num acordo de repartição de poder feito entre a Ação Democrática (AD), dita social-democrática, e o Comitê de Organização Política Eleitoral Independente (COPEI), social-cristã, chamado de Pacto de Punto Fijo e a “pax oligárquica” que durou 40 anos, até que Chávez estragou tudo. Os EUA nunca aceitaram Chávez e, quando ele criou o bolivarianismo, tornou-se alvo e certamente houve “compra” de generais, assim como ocorreu na Síria e no Iraque, tal a facilidade com que Maduro foi sequestrado, pelo que sabemos até agora. Portanto, o regime bolivariano ainda terá pela frente um futuro incerto, afinal, se Maduro caiu, o que será do sistema criado por Chávez? Mas, porque ficamos assombrados com essa ação agressiva dos EUA? Será que um país como os EUA, ao estabelecer suas áreas de controle, continuaria a admitir a existência de um regime contestador como o da Venezuela? O ataque mostrou que não, e isso foi poucas semanas depois da ação de estrangulamento do país bolivariano. A tática foi de ir aumentando a pressão. Aumentando. Achar que Trump recuaria vai para o âmbito dos desejos. E desejos são desejos. Trump está dizendo em alto e bom som, inclusive ao gigante de pés de barro, o Brasil, que nesse “quintal” quem manda é ele. John Wayne delira. O xerife voltou. E voltou babando de ódio. Rei morto, rei posto, como dito em 1422 quando da coroação de Carlos VII, rei dos franceses. Maduro já era. Errou muito. Acertou muito. Um regime sustentado por uma articulação política que passa por uma série de acordos entre as diversas alas do bolivarianismo. A fragilidade da defesa venezuelana expôs a fratura do regime? Maduro foi “negociado”? E o gigantesco Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV)? Tudo isso está envolto em nuvens. Agora é avaliar, analisar. Maduro já foi. A Venezuela bolivariana irá junto? E o Brasil? De pulga atrás da orelha, passamos a uma infestação, dado que Trump não parece ter pruridos em agir. Ah, mas o Brasil é gigante e Lula é um negociado sagaz. É até “amigão” de Trump, que disse gostar dela. Bem, Trump conversou com Maduro semanas antes de sua queda. Wellington DuarteProfessor do Departamento de Economia da UFRN
NOTA DE REPÚDIO DO PROIFES-FEDERAÇÃO AO ATAQUE DOS EUA À SOBERANIA DA VENEZUELA

O PROIFES-Federação manifesta o mais veemente repúdio às ações promovidas pelos Estados Unidos, que atentam contra a soberania da República Bolivariana da Venezuela e configuram grave violação ao direito internacional, aos princípios da autodeterminação dos povos e da não intervenção entre Estados soberanos. Tais iniciativas representam uma ameaça não apenas ao povo venezuelano, mas a toda a América Latina e ao Caribe. Ao admitir ou tolerar ações de ingerência externa, abre-se um precedente perigoso que coloca o Brasil e demais países da região em situação semelhante de vulnerabilidade, fragilizando a soberania nacional e a estabilidade democrática dos Estados latino-americanos. O PROIFES-Federação reafirma que divergências políticas, econômicas ou diplomáticas devem ser tratadas exclusivamente por meio do diálogo, da cooperação internacional e do respeito mútuo entre as nações, jamais por ações coercitivas, sanções unilaterais ou práticas que comprometam a paz e a autodeterminação dos povos. A defesa da soberania da Venezuela é, portanto, a defesa da soberania de toda a América Latina. Reafirmamos nosso compromisso histórico com a integração regional, com a paz, com a democracia e com a construção de relações internacionais baseadas na justiça, no multilateralismo e no respeito ao direito internacional. Brasília, 4 de janeiro de 2026 PROIFES-Federação
Recomposição orçamentária é condição para a soberania científica do país

O PROIFES-Federação manifesta preocupação com as projeções orçamentárias para 2026 que indicam restrições significativas aos recursos destinados à educação superior, à ciência, tecnologia e inovação, com impactos diretos sobre o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e sobre as políticas de formação de pesquisadores no país. A análise do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026, conforme apontado por entidades científicas nacionais, revela um quadro contraditório. Embora haja um crescimento nominal de 12,65% no orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), os recursos destinados às bolsas de pesquisa do CNPq sofreram cortes, e a verba de fomento da agência, essencial para a manutenção de laboratórios, insumos e infraestrutura científica, foi reduzida em cerca de um terço em relação à Lei Orçamentária em vigor. No âmbito do Ministério da Educação, a situação também é preocupante: a CAPES, principal financiadora da pós-graduação brasileira, sequer teve os recursos destinados às bolsas corrigidos pela inflação, comprometendo a sustentabilidade do sistema. Esse cenário incide diretamente sobre a formação científica nacional. A manutenção de um orçamento comprimido resulta na redução do número de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, na persistente defasagem dos valores pagos a estudantes e pesquisadores, na interrupção de projetos estratégicos desenvolvidos em universidades e institutos de pesquisa, no estímulo à evasão acadêmica e na intensificação da fuga de cérebros. As consequências são o enfraquecimento da capacidade nacional de inovação e a limitação das possibilidades de desenvolvimento soberano do país. O PROIFES-Federação reafirma que a defesa da soberania nacional, do desenvolvimento sustentável e da reindustrialização exige investimento contínuo, estável e previsível em ciência, tecnologia e educação superior pública. Não há projeto nacional consistente sem a valorização da pesquisa básica, da pós-graduação e da formação qualificada de recursos humanos. É fundamental reconhecer que o atual cenário resulta de escolhas políticas no processo de alocação de recursos públicos, em um contexto de forte disputa orçamentária. Por isso, a reversão desse quadro não ocorrerá de forma automática: ela dependerá de uma pressão institucional articulada, contínua e qualificada, junto ao Poder Executivo e ao Congresso Nacional. O PROIFES-Federação defende a recomposição do orçamento do FNDCT, o fortalecimento do CNPq, da CAPES e das demais estruturas de fomento, bem como a garantia de recursos suficientes para assegurar o funcionamento pleno da pós-graduação, da pesquisa científica e das instituições públicas. Nesse sentido, o PROIFES considera essencial a construção de uma ação conjunta com entidades científicas, acadêmicas e sindicais, ampliando a capacidade de incidência política e social em defesa da recomposição orçamentária. Investir em ciência e educação não é gasto, mas uma condição indispensável para assegurar soberania, desenvolvimento e futuro ao Brasil. PROIFES-Federação
Audiência pública debate estratégias de enfrentamento da Reforma Administrativa

A nova proposta de reforma administrativa (PEC 38) é uma ameaça para as/os trabalhadoras/es e a população em geral: tomando como ponto de partida o falso discurso de “combate aos privilégios”, ela põe em risco a qualidade dos serviços públicos, acaba com a estabilidade dos servidores públicos e beneficia o grande capital. Esses foram os principais pontos debatidos na Audiência Pública sobre a Reforma Administrativa, iniciativa da APUB e do mandato da vereadora Marta Rodrigues, realizada na manhã da última segunda (15/12), no Auditório do Edf. Bahia Center. A audiência foi gravada e está disponível no Canal YouTube do Sindicato: Além da presidenta do Sindicato, professora Raquel Nery, e da vereadora Marta Rodrigues, a mesa foi composta pelos vereadores Silvio Humberto e Hamilton Assis; o vice-presidente do PROIFES, Flávio Silva; a presidenta da CUT-BA, Leninha Valente; a supervisora do DIEESE, Ana Georgina; e o diretor do DCE UFBA, Joan Ravir. Como encaminhamento da Audiência, a ata da discussão será encaminhada para os deputados e senadores que representam a Bahia, bem como para o deputado Hugo Motta e para o prefeito Bruno Reis. Além disso, ficou alinhada a realização de um ato no mês de janeiro, para sensibilizar a população a juntar-se à causa do enfrentamento à Reforma Administrativa. A professora Raquel Nery foi a primeira a fazer uso da fala. Depois de saudar os integrantes da mesa, ela fez uma linha do tempo das inúmeras tentativas de Reformas Administrativas, tendo o golpe contra a presidenta Dilma como ponto de partida. A presidenta teceu duras críticas à ideia de professores como “privilegiados”: “Não temos privilégios. Temos uma carreira que dura 20 anos de sua base até o topo. Nosso reajuste é sempre resultado de muita luta. Desde o golpe da presidenta Dilma, ficamos sete anos sem mesa de negociação, com perdas salariais que nem sequer foram recuperadas. E agora precisa de uma PEC que atinge as pessoas que mais precisam do serviço público, em nome da modernização do estado brasileiro e da extinção de privilégios?” O vice-presidente do PROIFES, Flávio Silva, foi o segundo a falar. Em sua apresentação, o professor trouxe dados relevantes a respeito da quantidade de servidores bem como a proporção de servidores em cada uma das esferas administrativas. Ele desmentiu, com dados, um dos principais mitos que envolvem a reforma administrativa, o de que o Brasil gasta muito com o serviço público. “O Brasil tem 12,4% de servidores em relação à população economicamente ativa. Isso equivale a quase metade da proporção dos países da OCDE”, explicou. A Supervisora Técnica do DIEESE, Ana Georgina Dias, foi a próxima a fazer uso da palavra. Depois de agradecer à APUB pela iniciativa da Audiência Pública, ela trouxe à tona um problema que já acomete o serviço público, mesmo em governos progressistas: o alto número de trabalhadores terceirizados e temporários. “O Estado não pode ser visto como uma empresa privada, porque o objetivo é outro. Ele não foi feito para dar lucro, foi feito para dar resultado”, analisou. Já a presidenta da CUT-BA, Leninha Valente, analisou a conjuntura política e os limites de um governo progressista, que precisa lidar com um parlamento de maioria conservadora e sem compromisso com a melhoria dos serviços públicos para os cidadãos. “As reformas administrativas são sempre propostas a título de modernização. Mas isso que chamam de ajuste fiscal, a gente sabe que é um arrocho”, criticou a presidenta da CUT. Representando o movimento estudantil, Joan Ravir, da direção do DCE UFBA, chamou a atenção dos impactos que uma Reforma como a que está sendo pensada pode ter para o movimento estudantil. “Quando a gente trata desse desmonte, a gente vê o quanto é importante que os servidores tenham os seus direitos garantidos, por isso acaba impactando na saúde dos servidores e dos estudantes também”, avalia. O vereador Hamilton Assis chamou a atenção para a necessidade de enfrentar a Reforma Administrativa junto com a população. “Precisamos pensar em como a gente envolve os usuários de serviços públicos, porque é extremamente grave o que estão acontecendo”, avalia. Ele também relacionou a Reforma proposta a um mecanismo de necropolítica. “Quando você precariza o serviço para quem mais precisa, você está decidindo quem vai viver e quem vai morrer”. O vereador Silvio Humberto chamou a atenção de que, com um Congresso conservador como o atual, não adianta o Governo fazer o “dever de casa” sozinho. Também chamou a atenção de que, embora os defensores da Reforma abracem a narrativa de que o estado é “ineficiente”, não há um interesse real na “eficiência”, que melhoraria os serviços públicos e aumentaria a arrecadação. Fonte: APUB-Sindicato
Aviso de recesso

Informamos que o PROIFES-Federação estará em recesso de final de ano no período de 19 de dezembro a 04 de janeiro. Durante esse intervalo, a sede da entidade permanecerá fechada. As atividades do PROIFES-Federação serão retomadas normalmente a partir do dia 05 de janeiro. A diretoria do PROIFES-Federação deseja a todas e a todos boas festas e um excelente início de ano!
SEM ANISTIA PARA GOLPISTAS

A população volta às ruas neste domingo, em todo o país, para denunciar o ataque que o Congresso Nacional impôs à democracia com a aprovação do PL da Dosimetria. O projeto, visto por movimentos populares e juristas como uma anistia disfarçada para golpistas como Bolsonaro e seus cúmplices, reduz penas, altera cálculos e abre brechas que beneficiam diretamente os responsáveis pelos ataques em 8 de janeiro de 2023. O texto aprovado desmonta a responsabilização pelos crimes contra o Estado Democrático de Direito. Basta um sexto da pena para progressão de regime. Na prática, condenações como a de Bolsonaro cairiam drasticamente, transformando o maior atentado à democracia desde a ditadura em um episódio sem consequências reais. A sessão que aprovou o projeto teve repressão à imprensa, agressões a jornalistas e até corte do sinal da TV Câmara, episódio considerado inédito desde a redemocratização. Para os movimentos sociais, isso apenas confirma que o Congresso opera distante da sociedade e aposta na impunidade de quem atacou o país. Além da pressão sobre o Senado, que agora analisa o projeto, as manifestações defendem direitos dos povos indígenas, barram retrocessos como o marco temporal e reforçam pautas urgentes da classe trabalhadora. Não há democracia com conivência. Não há justiça com acordos que beneficiam criminosos. O Brasil exige respeito, memória e verdade. Sem anistia para golpistas. Confira os locais de concentração: CE PE RN DF MG SP PR RS SC
Nota em defesa da democracia e contra a truculência parlamentar

Os acontecimentos da tarde desta terça-feira, no plenário da Câmara dos Deputados, espaço até então inviolável, revelam que a democracia brasileira está correndo sério risco. Sob o comando ou cumplicidade (talvez jamais saberemos) do presidente da Câmara, Hugo Motta, ocorreram cenas de violência nunca vistas naquele espaço parlamentar. O uso desproporcional de força dentro da Casa do Povo contra as deputadas Sâmia Bomfim e Célia Xakriabá, jornalistas e também a agressão sofrida pelo deputado Glauber Braga, após sua remoção à força do plenário, agravam ainda mais a situação. O fato ocorre apenas dois dias após manifestações em todo o país contra as muitas formas de violências que vitimam mulheres, evidenciando um cenário de desrespeito institucional e político às pautas de proteção e igualdade de gênero, bem como de ataque direto à liberdade de atuação parlamentar. Não basta que suas casas e as ruas sejam ambientes hostis às mulheres, agora o plenário da Câmara dos Deputados também o é. Censura explícita foi praticada quando seguranças esvaziaram, à força, o plenário e retiraram jornalistas, impedindo o trabalho de profissionais de imprensa, culminando com o sinal da TV Câmara sendo desligado. Nunca fatos dessa natureza ocorreram no Congresso Nacional. Foram atos graves e o presidente da Câmara não tomou nenhuma atitude que preservasse os princípios da democracia, o que eleva o perigo para a República, que parece estar à mercê da violência e da truculência, mesmo no Parlamento. O PROIFES-Federação exige que se respeite a democracia e que a Presidência da Câmara dos Deputados apure, com rigor, os acontecimentos que geraram esses graves episódios. A democracia corre perigo e o PROIFES-Federação está ao lado dos que a defendem.
