Período eleitoral para escolha de representantes do XXII Encontro Nacional do PROIFES segue até 21/08

O Encontro Nacional do PROIFES-Federação será realizado de 18 a 20 de novembro de 2026, em Brasília/DF. E como determina o estatuto da Federação, o período eleitoral para a escolha dos representantes dos sindicatos da base, com direito a voto, iniciou-se nesta segunda, (03/08) e segue até o próximo dia 21 de agosto 2026 Confira os eixos do XXII Encontro Nacional: EIXO 1: Ciência, Tecnologia e Inteligência Artificial a Serviço do Desenvolvimento Soberano EIXO 2: Meio Ambiente, Direitos Humanos e o Papel Social da Universidade EIXO 3: Valorização da Educação, Carreira Docente e Justiça Salarial XXII Encontro Nacional do PROIFES-Federação Data: 18/11/2026 a 20/11/2026 Local: Brasília Palace Hotel (SHTN Trecho 01, Conjunto 01 – Setor de Hotéis e Turismo Norte). Redação PROIFES-Federação

Protagonismo nacional em ciência e tecnologia depende de infraestrutura, dizem especialistas

Fonte: APUFSC/Jornal da Ciência – “Precisamos cada vez mais aproximar o Brasil de um protagonismo que seja compatível com as competências aqui instaladas”, disse Francilene Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na sexta-feira, dia 31, último dia de programação científica da 78ª Reunião Anual da SBPC, em Niterói, no Rio de Janeiro. A mesa-redonda, coordenada por ela, era dedicada a pensar quais infraestruturas são necessárias para que a ciência nacional tenha escala planetária e reuniu representantes dos ministérios da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Saúde (MS). Garcia destacou que o Brasil investe 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento. “É significativo, se pensarmos em décadas atrás, mas ainda insuficiente se compararmos com outros países, se olharmos para o tamanho dos desafios que nosso país tem”, afirmou. “A mesa é instigante de saída, porque traz a gestão para a conversa, não são só cientistas para pensar a ciência no Brasil”, disse Celina Pereira, do MGI. “As instituições importam, a coordenação gera escala, as pessoas transformam, a tecnologia possibilita, a governança conecta tudo”, defendeu, definindo essa infraestrutura institucional como invisível e transformadora. A infraestrutura precisa existir de forma permanente para possibilitar a reação rápida a demandas urgentes que surgem, como nas áreas da saúde e do meio ambiente. No outro sentido, ela explicou, a ciência gera as evidências que vão ser incorporadas às políticas públicas, e por isso a conexão entre as instituições é fundamental. “O SUS [Sistema Único de Saúde] envolve ciência em escala estrondosa, o Cadastro Ambiental Rural pega os dados e consegue ter uma base para reduzir desmatamento, mesmo em um país com mais de cinco mil municípios”, exemplificou. “A gestão pública define prioridades, coordena atores, mobiliza recursos, implementa políticas, leva inovação à sociedade, coloca capacidades a serviço da ciência: é uma caixa de ferramentas”, afirmou Celina Pereira, justificando por que a administração pública é uma infraestrutura de suporte para o alcance dos resultados e o que a ciência quer produzir e oferecer ao país. Osvaldo Moraes, do MCTI, trouxe reflexões sobre casos de sucesso na ciência brasileira. O maior destaque é o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, o Sirius, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, no interior paulista. “O reator nuclear da marinha brasileira avança lentamente, muito aquém do que queremos, mas, mesmo assim, tem resiliência e continua avançando aos poucos; a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] pôs o Brasil na liderança internacional na produção de alimentos”, completou. Outros projetos não avançaram como previsto, e ele qualificou como difícil estruturar e manter instituições que possam tornar-se de ponta no País. A partir da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI), do MCTI, ele ressalta que o Brasil tem uma combinação rara de ativos naturais insubstituíveis, centenas de milhares de pesquisadores, um conjunto inestimável de unidades de pesquisa, institutos de educação e outras instituições. “Em termos de estrutura, não temos como dizer que não temos capacidade de assumir a liderança.” Para garantir que a estratégia seja de Estado, portanto estável de um governo para outro, Moraes explicitou a meta de contar com um investimento de 2% do PIB nacional. “Precisamos ter capacidade de gerenciar todos os nossos conjuntos de dados, conectar a infraestrutura acadêmica com a cadeia produtiva nacional e manter a política de financiamento sólida, robusta e continuada.” Para ele, o País ainda não tem o necessário para fazer frente aos desafios da crise climática, por exemplo. “Precisaríamos de uma instituição que conectasse todas as instituições ambientais, banco de dados, uma plataforma de genômica continental, um sistema capaz de gerar alertas de desastres.” Exemplificando com o vendaval que atingiu o Rio de Janeiro, na antevéspera, inclusive o campus da Universidade Federal Fluminense (UFF), local onde ocorria a Reunião Anual, Francilene Garcia lembrou que não foram registrados danos sérios porque os protocolos se anteciparam e todos foram postos em segurança. “A nova estratégia de ciência, tecnologia e inovação precisa dialogar e se transformar em política de Estado efetiva.” Fernanda De Negri, do MS, destacou alguns desafios atuais em relação à saúde da população brasileira: envelhecimento populacional, drogas mais caras e mudança climática. “Temos uma comunidade pujante capaz de produzir conhecimento: ou construímos uma capacidade endógena, ou não teremos soberania”, desafiou. Entre as iniciativas relevantes nesse sentido, ela destacou o Programa de Inovação Radical em Saúde. “Temos uma indústria crescendo e querendo inovar cada vez mais, criando novas formulações, novos dispositivos, novas moléculas.” Mas falta, segundo ela, uma infraestrutura que conecte pesquisa científica, em uma ponta, e inovação na outra. O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem) abrigará, inicialmente, essa infraestrutura, que envolverá, além de recursos físicos, a contratação de profissionais para garantir que o Brasil possa participar da inovação em saúde na escala global. Para o Genomas Brasil, outro projeto em destaque, o que falta na etapa atual não são prédios, equipamentos ou pessoas: é uma plataforma de dados genômicos para ser utilizada por toda a comunidade científica brasileira e impulsionar a inovação científica nessa área. É importante, porque os medicamentos usados aqui foram desenvolvidos para a população europeia, que é geneticamente distinta da brasileira – que, por isso, não necessariamente reage da mesma forma aos tratamentos. Ter acesso a uma amostra genômica relevante do brasileiro deve possibilitar o desenvolvimento de medicamentos e de uma medicina de precisão. A plataforma envolverá governança, para definir os níveis e permissões de acesso aos dados, a infraestrutura física, um ambiente regulatório bem definido e a sustentabilidade de recursos financeiros. Outras ações em curso são o Centro de Competência em RNA mensageiro, para produção de imunizantes, e o Centro de Competência em IFA a partir da Biodiversidade Brasileira. “Não precisamos consumir apenas as inovações que vêm de fora. O Brasil é capaz de produzir inovações para o mundo – para isso, a infraestrutura é fundamental”, concluiu De Negri. Francilene Garcia prevê que o tema continuará sendo debatido, especialmente pela demanda trazida pelo

Pais veem avanço, mas temem que nova lei para superdotados fique só no papel

Fonte: APUFSC/ Folha de S. Paulo – Pais e especialistas consideram um avanço a aprovação da lei que criou uma política nacional para alunos com superdotação ou altas habilidades, mas apontam para uma série de lacunas no texto e temem que as novas regras não saiam do papel. Aprovada em junho, a norma determina a elaboração de um cadastro nacional para acompanhar esses estudantes e que eles tenham direito a um atendimento especializado. Define também a criação de centros de referência para receber esses alunos no contraturno das escolas, além do fomento à capacitação de professores para lidar com a superdotação. Mas, de acordo com pais e profissionais entrevistados pela Folha, o texto não detalha os protocolos que devem ser adotados pelas escolas e não aprofunda as formas de dar a essas crianças e jovens uma educação especializada. Responsável por executar a medida, o Ministério da Educação (MEC) afirma que adota as providências necessárias para o cumprimento da legislação, que foi “construída e aprovada pelo Congresso Nacional”. Leia na íntegra: Folha de S. Paulo 

Prêmio Mulheres e Ciência do CNPq: terceira edição tem inscrições abertas até 10/09

Fonte: Adurn/CNPq – O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lança o 3º Prêmio Mulheres e Ciência, iniciativa realizada em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Ministério das Mulheres, o British Council no Brasil e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF). As inscrições estarão abertas até 10 de setembro de 2026, exclusivamente por meio da página eletrônica do prêmio. Criado em 2024 para reconhecer e incentivar a participação das mulheres na Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), o prêmio busca promover a diversidade, fortalecer a equidade de gênero, étnica e racial e dar visibilidade às contribuições de pesquisadoras e instituições para o desenvolvimento científico e tecnológico do País. Nesta terceira edição, o prêmio mantém as quatro categorias de premiação — Incentivo, Estímulo, Trajetória e Mérito Institucional — e atualiza o valor da premiação destinada às instituições vencedoras da categoria Mérito Institucional, que passa a ser de R$ 60 mil para cada uma das três instituições contempladas, recursos destinados ao fortalecimento de ações voltadas à promoção da igualdade de gênero. Desde sua criação, o Prêmio Mulheres e Ciência vem consolidando-se como uma importante iniciativa de valorização da produção científica feminina e do incentivo à construção de ambientes acadêmicos e científicos mais inclusivos. Na primeira edição, o prêmio recebeu 1.131 inscrições, demonstrando o alcance e a relevância da iniciativa junto à comunidade científica brasileira. Categorias O 3º Prêmio Mulheres e Ciência contemplará quatro categorias: Incentivo – destinada a jovens mulheres, de 15 a 29 anos, participantes do Programa Asas para o Futuro, do Ministério das Mulheres. A categoria reconhece projetos de continuidade desenvolvidos a partir da participação no programa e busca incentivar o ingresso e a permanência de jovens nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Estímulo – destinada a pesquisadoras que concluíram o doutorado a partir de 2011, contemplando as três grandes áreas do conhecimento: Ciências da Vida; Ciências Exatas, da Terra e Engenharias; e Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes. Trajetória – voltada a pesquisadoras que concluíram o doutorado até 2010 e que tenham se destacado por suas contribuições ao avanço do conhecimento científico e tecnológico nacional em cada uma das três grandes áreas do conhecimento. Mérito Institucional – destinada a instituições de educação superior e institutos de pesquisa que desenvolvem políticas e planos de ação voltados à promoção da igualdade de gênero e à construção de ambientes científicos mais diversos e inclusivos. Premiação As vencedoras da categoria Incentivo receberão prêmio de R$ 5 mil, além de passagem aérea e diárias para participação na cerimônia de premiação, passagem para participação em congresso científico nacional e certificado. Na categoria Estímulo, cada pesquisadora agraciada receberá R$ 20 mil, além de passagens e diárias para participação na cerimônia, apoio para participação em congresso científico no Brasil ou no exterior e certificado. As vencedoras da categoria Trajetória receberão R$ 40 mil, além de viagem ao Reino Unido para participação em atividades relacionadas a políticas de educação superior e ciência, passagens, diárias e certificado. Na categoria Mérito Institucional, cada uma das três instituições vencedoras receberá R$ 60 mil, destinados ao desenvolvimento das ações previstas em seus planos institucionais de promoção da igualdade de gênero, além de participação em programa de desenvolvimento de capacidades promovido pelo British Council. Inscrições As inscrições deverão ser realizadas exclusivamente pela página eletrônica do prêmio entre os dias 28 de julho e 10 de setembro de 2026, observando os requisitos específicos previstos no edital para cada categoria. O resultado final será divulgado em novembro de 2026, e a cerimônia de premiação está prevista para ocorrer em março de 2027, em Brasília. O edital completo e outras informações sobre o 3º Prêmio Mulheres e Ciência estão disponíveis na página do Prêmio. Redação PROIFES-Federação

Justiça do Trabalho chama atenção para assédio eleitoral

Fonte: CONTEE – Com a chegada do período eleitoral, a Justiça do Trabalho chama a atenção para uma prática que busca interferir na liberdade do eleitor em escolher seu candidato e no exercício do voto livre e secreto: o assédio eleitoral nas relações de trabalho. Em muitas situações, patrões ou pessoas em posição de poder agem para induzir o trabalhador a votar em determinado político, às vezes com promessas de benefícios ou mesmo com ameaças à continuidade do emprego. A prática é proibida e pode gerar consequências nas esferas trabalhista, eleitoral e, conforme o caso, criminal. O assédio eleitoral ocorre quando alguém utiliza sua posição de poder no ambiente de trabalho para influenciar, constranger ou pressionar trabalhadores a votar, deixar de votar ou apoiar determinado candidato, partido ou posicionamento político. Essas situações podem dar origem a ações trabalhistas na Justiça do Trabalho, especialmente em casos de ameaça, constrangimento, discriminação ou abuso do poder diretivo do empregador, com possibilidade de responsabilização e indenização pelos danos causados. Esse foi o caso de uma indústria de embalagens de Rio Verde (GO), condenada por coação política no ambiente de trabalho durante o segundo turno das eleições de 2022. No curso do processo ficou constatado que a empresa promoveu reuniões para pressionar empregados a apoiarem determinado candidato nas eleições de 2022. Segundo depoimentos de testemunhas, os trabalhadores foram informados de que receberiam folga caso o candidato apoiado pela empresa vencesse o pleito. Nesse caso, a Justiça do Trabalho condenou a empresa a indenizar por danos morais cada trabalhador ativo no período da campanha eleitoral no valor de R$1.000,00. Em outro caso, uma empresa de coaching de Vitória (ES) foi condenada a indenizar uma vendedora por assédio eleitoral em 2022. A ação demonstrou que os empregados eram pressionados a manifestar seu voto no candidato apoiado pela empresa. A empresa fazia pressão psicológica para que os empregados se posicionassem publicamente em favor do então presidente da República, que concorria à reeleição. A gestora fazia interferia para que os empregados revelassem o voto, deixando clara a possibilidade de demissão de quem não adotasse a mesma linha. Como a vendedora decidiu não revelar suas posições políticas, foi dispensada às vésperas do segundo turno, com mais três colegas de trabalho. Na ação, ela demonstrou que a demissão foi motivada por não ter manifestado apoio ao candidato da empresa. Para tanto, juntou ao processo áudios e mensagens em aplicativos. As testemunhas ouvidas confirmaram que a empresa apoiava o candidato e induzia os empregados a fazê-lo. A indenização foi fixada pela Justiça do Trabalho em R$ 8 mil. Como identificar o assédio eleitoral Vale destacar que nem toda conversa sobre política configura assédio eleitoral. O problema ocorre quando há pressão, intimidação ou qualquer forma de constrangimento em razão da relação de trabalho. São exemplos de assédio eleitoral: • ameaçar demitir, transferir ou prejudicar empregados caso não votem em determinado candidato; • prometer aumento salarial, promoção, bônus ou qualquer benefício em troca de voto; • obrigar trabalhadores a participar de atos, reuniões, passeatas ou campanhas políticas; • exigir a divulgação de candidatos nas redes sociais pessoais dos empregados; • constranger trabalhadores a revelar em quem pretendem votar; • humilhar, perseguir ou discriminar empregados por suas opiniões políticas. Também configura assédio eleitoral qualquer tentativa de utilizar a relação de emprego para influenciar a liberdade de escolha do trabalhador durante o período eleitoral. Como denunciar: Quem sofrer ou presenciar uma situação de assédio eleitoral deve, sempre que possível, guardar provas, como mensagens, e-mails, áudios, vídeos, fotografias ou a identificação de testemunhas. Esses elementos podem contribuir para a apuração dos fatos. A denúncia pode ser apresentada ao Tribunal Superior do Trabalho, ao Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT). O denunciante pode solicitar o sigilo de sua identidade. O CSJT disponibilizou uma página na internet onde o eleitor pode tirar dúvidas sobre o que é assédio eleitoral, conhecer exemplos dessa prática e saber quais as penalidades. O que pode acontecer com o (a) empregador (a) que praticar assédio eleitoral?O empregador que praticar assédio eleitoral no trabalho pode enfrentar sérias consequências, como multa; rescisão indireta do contrato de trabalho – nesse caso, o trabalhador pode pedir a rescisão indireta do contrato de trabalho, podendo sair do emprego e receber direitos como se tivesse sido demitido sem justa causa; indenização por danos morais para o trabalhador; e sanções penais, que pode chegar até a prisão, dependendo da gravidade da situação. É bom destacar que o empregador pode evitar esse tipo de problema, bastando apenas respeitar a escolha política de cada trabalhador e não usar o ambiente de trabalho para influenciar votos. É importante promover um ambiente justo e livre de pressões. Redação PROIFES-Federação

Impacto das telas na saúde mental já é debatido em 80% das escolas

Fonte: Agência Brasil – O debate sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes já faz parte da agenda de oito em cada dez escolas brasileiras. A proporção de instituições de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, que discutiram o tema em 2025, cresceu 18 pontos percentuais na comparação com 2024, passando de 62% para 80%. Os resultados constam na pesquisa TIC Educação 2025, lançada nesta terça-feira (4) e realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).  A coleta de dados foi feita por telefone em escolas públicas e particulares, de áreas urbanas e rurais, totalizando 2.404 entrevistas com gestores. Segundo o Cetic.br, a pesquisa mostra que os debates sobre questões relacionadas aos efeitos das tecnologias digitais no desenvolvimento dos alunos e à adoção crítica desses recursos estão mais presentes nas escolas do país. Em 2025, 75% dos gestores se reuniram com pais, mães e responsáveis para tratar do uso de tecnologias digitais no ambiente escolar, ante 60% no ano anterior. E 86% conversaram com professores e outros profissionais da instituição sobre o mesmo assunto, em 2024 a proporção era 68%.  Outros temas que passaram a ocupar mais espaço nas pautas das reuniões são o uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais – de 56% em 2024 para 75% em 2025 – e a inclusão da educação midiática no currículo escolar, de 46% para 67%. Obstáculos Segundo o levantamento, 65% das instituições de ensino desenvolvem alguma ação voltada aos estudantes nessa área. No entanto, a presença dessas ações é desigual, ocorrendo com maior prevalência nas escolas urbanas (72%) e entre aquelas que disponibilizam computadores e acesso à internet para uso dos alunos em atividades educacionais (75%). Entre as que realizam essas iniciativas, 75% dos gestores apontam a baixa participação das famílias e dos responsáveis como um dos principais obstáculos, seguida pela falta de materiais e recursos educacionais de apoio (64%). Entre as que não realizam atividades desse tipo, a principal dificuldade é a falta de materiais e recursos de apoio (77%), seguida pela baixa participação das famílias (66%) e pela qualidade dos computadores e do acesso à Internet da escola (65%). “Os dados mostram a necessidade de um olhar atento às desigualdades estruturais, que podem se configurar em desafios à garantia de maior equidade na oferta da educação digital, conforme prevê normativas importantes, como o Plano Nacional de Educação”, avalia Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação.  Ela acrescenta que “a integração entre escolas e famílias é outro aspecto essencial para a disseminação da educação digital”.  “Para que possam apoiar as famílias de maneira eficaz, as escolas precisam de suporte adequado e políticas públicas estruturadas”, defende.  Em 49% das escolas, os responsáveis buscaram a direção ou profissionais pedagógicos para obter orientações sobre como mediar o consumo digital de crianças e adolescentes. Do outro lado, 48% das escolas ofereceram palestras com especialistas em bem-estar e saúde mental para as famílias, e 46% distribuíram guias e materiais de orientação sobre hábitos saudáveis de uso de recursos digitais. “Construir uma educação digital plena e segura é um desafio estratégico para o país e que precisa ser compartilhado entre os diferentes atores sociais. A escola tem um papel importante e crescente, mas também as famílias e o Estado. Precisamos aprimorar políticas públicas e estabelecer regras para a atuação de plataformas digitais”, analisa Renata Mielli, coordenadora do CGI.br. Ela ressalta que regulação e políticas públicas são elementos cruciais para a proteção de crianças e jovens, como aponta o ECA Digital.  “As famílias e os educadores precisam de apoio para compreender a complexidade de temas imateriais, como o funcionamento de algoritmos e sistemas de Inteligência Artificial, para que possamos, coletivamente, proteger crianças e adolescentes contra os riscos e abusos no ambiente virtual”, disse. Uso de celulares  Segundo o estudo, 51% dos gestores afirmam que os alunos não podem levar o telefone celular pessoal para o ambiente escolar. O resultado variou conforme o perfil da instituição, sendo mais restritiva naquelas com turmas até os anos iniciais (69%) do que nas com ensino médio (31%). Em 40% das escolas, os alunos estão autorizados a levar o celular pessoal, mas as regras de armazenamento variam entre as instituições. Em 24%, os dispositivos devem ser guardados em bolsos ou acessórios de uso individual, como mochila ou estojo e, em 16%, em locais disponibilizados pelas escolas, como caixas, armários ou outros espaços. Ao considerar a parcela de escolas que consentem que os alunos levem o celular, 66% permitem o uso do celular pessoal em atividades pedagógicas, proporção que aumenta em contextos que enfrentam maiores barreiras de conectividade e de acesso a computadores. O uso pedagógico do dispositivo sobe para 76% na Região Norte, 76% na Região Nordeste e 75% em áreas rurais. Inteligência artificial É a primeira TIC Educação que mapeou o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa por gestores escolares. A pesquisa indicou que 53% deles já utilizam esses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira. No entanto, apenas 22% dos gestores informaram que a escola possuía um guia de orientações sobre o uso de tais recursos no ensino, na aprendizagem ou na gestão (19% entre as escolas municipais, 25% entre as estaduais e 25% entre as particulares). Entre as principais finalidades do uso de IA pelos gestores estão a criação de conteúdos visuais ou de comunicação (83%), elaboração de convites e comunicados (80%) e tradução, revisão ou resumo de textos (71%). Em 37% das escolas, o uso de IA pelos estudantes em tarefas educacionais é permitida. A proporção chega a 47% na rede estadual e a 52% naquelas com turmas até o ensino médio. Redação PROIFES-Federação