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Elisa Frota-Pessoa: pioneira da física abriu caminho para mulheres na ciência

Redação PROIFES-Federação21 de outubro de 2026
Elisa Frota-Pessoa: pioneira da física abriu caminho para mulheres na ciência

Uma das pioneiras da física experimental no Brasil, Elisa Esther Habbema de Maia, fez da ciência e da defesa da democracia parte da sua trajetória.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - Uma das pioneiras da física experimental no Brasil, Elisa Esther Habbema de Maia, fez da ciência e da defesa da democracia parte da sua trajetória. Segunda mulher a se formar em física no País, a pesquisadora enfrentou preconceitos, participou de importantes pesquisas e contribuiu para o desenvolvimento da ciência no Brasil. 

Nascida em 21 de janeiro de 1921, no Rio de Janeiro (RJ), a pesquisadora despertou o interesse pela ciência aos 14 anos, durante os estudos na Escola Paulo de Frontin. A escolha pela carreira científica contrariou a vontade do pai, que considerava o casamento o melhor caminho para as mulheres. 

Inicialmente interessada em engenharia, ela decidiu estudar física. Em 1942, concluiu a graduação na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, tornando-se a segunda mulher formada na área no Brasil. No mesmo ano, Sonja Ashauer também se formou em física pela Universidade de São Paulo (USP). 

Sua trajetória profissional começou ainda na graduação, quando passou a trabalhar como assistente de um professor, atividade que exerceu sem remuneração até 1944.  Nas décadas seguintes, Elisa se destacou pela contribuição à pesquisa científica e pela defesa dos direitos das mulheres. Em 1949, participou da fundação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), instituição que se tornaria referência nacional na área. 

Um ano depois, publicou com a física Neusa Amato, terceira mulher a se formar na área no Brasil, o primeiro artigo científico do CBPF. Intitulado Sobre a Desintegração do Méson Pesado Positivo, o estudo apresentou resultados inéditos sobre a teoria V-A das interações fracas. 

Além da contribuição científica, Elisa teve sua trajetória marcada pela resistência à ditadura militar. Durante esse período, passou pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Universidade de São Paulo (USP). 

Em 1969, após o endurecimento do regime militar com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), foi aposentada compulsoriamente, depois de uma denúncia de suposta ligação com o Partido Comunista. 

Afastada de suas atividades no Brasil, Elisa seguiu para o exterior, onde lecionou nos Estados Unidos e na Europa. Em 1980, foi readmitida no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, sem solicitar anistia. 

De volta ao CBPF, criou um laboratório de emulsões nucleares dedicado à espectroscopia nuclear, área que estuda as propriedades dos núcleos atômicos. Coordenou as atividades do laboratório até 1991, quando se aposentou compulsoriamente por idade. 

Mesmo após a aposentadoria, manteve sua atuação acadêmica como professora emérita até 1995. 

Elisa Frota-Pessoa morreu em 2018, aos 97 anos. Sua trajetória deixou contribuições importantes para a física brasileira e se tornou referência para gerações de mulheres que escolheram seguir carreira científica. Seu legado reúne a defesa da ciência, dos direitos das mulheres e da democracia.

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