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ADUFRGS: Universidade e a Questão Social: Uma Experiência Vivida foi destaque no Encontro com aposentados, na quarta-feira passada, dia 2

Publicado em : 04/06/2021

A edição virtual do Encontro com aposentados da ADUFRGS-Sindical, transmitida ao vivo pelo YouTube e Facebook, na tarde de quarta-feira, 2, apresentou o tema “A Universidade e a Questão Social: Uma Experiência Vivida”. O evento teve como palestrante a professora aposentada Carmem Maria Craidy, da Faculdade de Educação da UFRGS, e contou com a mediação do professor aposentado Renato Oliveira. O Encontro com aposentados da ADUFRGS é uma promoção do Núcleo Multiatividades do Sindicato, coordenado pelo professor aposentado Otto Carlos Koller.

Na abertura da Live, a diretora de Comunicação da ADUFRGS-Sindical, Sônia Mara Ogiba, representando a diretoria do sindicato, ressaltou a relevância das edições quinzenais dos encontros com aposentados do Sindicato. Ela lembrou a atuação do professor Renato Oliveira como presidente da ADUFRGS por dois mandatos e secretário de Estado de Ciência e Tecnologia do RS no período 2001-2002. Ela enalteceu a contribuição da professora Carmem Craidy na área da Educação e dos Direitos humanos.

O professor aposentado Renato Oliveira apresentou a professora Carmem Craidy como uma referência na luta democrática dentro das universidades. “Quando comecei a militar no movimento docente da Universidade, em 1970, reconheci a trajetória acadêmica, pedagógica e política da professora Carmem e seu esforço para que a universidade se engajasse na redemocratização do País, na época da ditadura militar. A partir daí, ela fez parte de uma organização para criar uma associação de professores das instituições federais de ensino superior, que hoje se transformou no Sindicato, a ADUFRGS-Sindical”, referiu.

Ao iniciar sua palestra, a professora Carmem Craidy comentou sobre a atual conjuntura brasileira frente à crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19. “O que o Brasil vive hoje não é uma questão de direita e esquerda. Vivemos uma barbárie com a ameaça do governo em acabar com a universidade pública. A prática do neoliberalismo e o avanço de movimentos fascistas exercem o controle social para quem está no poder, promovendo o desmonte do País”, salientou. “Temos os porões da ditadura militar no poder.”

Para a palestrante, a pandemia trouxe a consciência coletiva que somente o Estado é capaz de encaminhar o desenvolvimento econômico, social, científico e tecnológico do País.  “O setor privado é imediatista e jamais fará grandes investimentos sociais. O SUS, que estava na eminência de ser privatizado, hoje faz parte da consciência da população que é um patrimônio nacional. Neste contexto, reconhecemos a importância do Estado na questão social”, enfatizou. “A universidade pública, altamente ameaça hoje, é parte de uma luta social mais ampla.”

A professora abordou o tema da live trazendo sua experiência como coordenadora do Programa de Prestação de Serviços à Comunidade (PPSC) voltado para adolescentes em conflitos com a lei, infratores, desenvolvido pela Faculdade de Educação da UFRGS, como início em 1997. Este trabalho foi consequência de um acordo entre a Universidade e o Juizado Especial da Infância e da Juventude. Com a vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente, o jovem passou a ser sujeito de direitos, não podendo ser preso, ou sofrer qualquer punição sem ser julgado com direito à defesa e acusação. Ao cometer uma infração, o adolescente pode ir para a Fase no sistema privado de liberdade ou pode receber uma medida de meio aberto com liberdade assistida e prestação de serviço à comunidade.

“Assumimos a responsabilidade de proporcionar um caráter educativo a esse programa, no que diz respeito às medidas socioeducativas”, disse a professora Carmem. “Foi um desafio porque o nosso programa foi o primeiro implantado no Rio Grande do Sul como medida socioeducativa de meio aberto. Elaboramos uma proposta através da experiência e da pesquisa e fizemos dela um centro de formação”, explicou.

A professora Carmem Craidy citou três pesquisas sobre o programa de acompanhamento e orientação aos adolescentes infratores que cumprem medidas socioeducativas. Segundo ela, os estudos caracterizam a evolução desses jovens, sua escolaridade, o que levou os adolescentes a cumprirem tais medidas, a opinião deles sobre o PPSC, como é a situação deles pós-programa de readaptação social, seus avanços e retrocessos.

Conforme a professora, os resultados revelam que grande parte dos jovens são pobres, têm ensino fundamental incompleto, 50% envolveram-se em crimes contra o patrimônio e o restante em atos de violência e tráfico de drogas. “Quanto mais difícil a situação do adolescente em relação as suas condições de vida, mais chances do destino dele ser o presídio ou a morte”, avaliou.

A professora informou dados sobre os números de óbitos de jovens no Brasil. “Aproximadamente 30 crianças e adolescentes morrem por dia no País por causas externas. 40% das mortes são decorrentes de homicídio, suicídio ou acidente”, observou.

De acordo com a palestrante, o programa enfoca dois eixos da pedagogia do acolhimento para que o jovem se sinta aceito, respeitado, exigido e valorizado. “A dimensão pedagógica da assistência social da FACED/UFRGS, que trabalha com populações vulneráveis, é fruto do trabalho do Programa de Prestação de Serviços à Comunidade (PPSC)”, elucidou.

No final, a professora leu depoimentos de jovens inseridos no “Levantamento sobre a situação atual de adolescentes que frequentaram o Programa de prestação de serviços à comunidade da UFRGS, nos anos de 2009 e 2010”.   Confira: “Eu sempre tive isso na cabeça (sair do tráfico) quando eu vinha aqui (PPSC/UFRGS), mas quando eu saia pra rua era isso e mais mil coisas que eu fazia lá em cima(morro).”

O professor Renato Oliveira comentou sobre os depoimentos dos jovens sobre o PPSC. “Os primeiros depoimentos enfatizaram essa oposição existente entre a experiência positiva em relações humanas que o programa propiciou e a vida real, ou seja a vivência negativa que eles tiveram. Um desses alunos mencionou como a rotina. O peso da rotina que não deixa alternativas, que condiciona as expectativas de vida destas pessoas e esse condicionamento só poder ser rompido através do delito. A rotina da vida não deixa saída”, analisou. “Como fica essa dualidade entre a experiência positiva propiciada pelo programa e a experiência dos jovens quando retornam ao meio natural e se sentem novamente afogados pela rotina e brutalidade. Essa dualidade permite vislumbrar o resultado efetivo do ponto de vista de contribuir para uma reinserção positiva desses jovens?”, questionou.

De acordo com Carmem Craidy, os jovens infratores vivem a dimensão da opressão social. “Nos últimos anos, a violência aumentou no Brasil devido às diferenças sociais e a distribuição de renda. Nós não somos políticos e sim educadores, buscamos um novo caminho para esses adolescentes. A presença da mulher é decisiva na vida deles, seja uma mãe ou companheira. Uma conversa, um conselho, um abraço é o que eles mais gostam e isso é muito importante do ponto de vista humano”, finalizou Carmem.

Currículo dos participantes do Encontro com aposentados

Renato Oliveira, possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1978) e doutorado em Sociologia - Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales (1993), com estágio pós-doutoral na Universidade Aberta da Catalunha, Barcelona, Espanha (2005-2006).  Ele foi presidente da ADUFRGS na gestão (1994-1996 e 1996-1998)

Carmem Maria Craidy professora emérita da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, graduada em Pedagogia pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (1964), mestre em Sciences de L`éducation – Université Paris Descartes (1972) e doutora em Educação pela UFRGS (1996).

A live teve boa audiência e interação do público, que fez uma série de perguntas e comentários no chat das plataformas digitais. Veja alguns depoimentos:

Alice Maciel – “Interessante conhecer essa ação de desenvolvimento social na UFRGS.”

Maria Luiza Ambros Von Holleben – “Parabéns a professora Carmem pelo trabalho e ao professor Renato Oliveira pela mediação do debate.”

Arabela Oliven – “Carmem, excelente a tua apresentação. És uma grande educadora!”

Tiza Mirga Garcia – “Que bom, professora, pesquisas registrando vivências.”

Tânia Salgado – “Parabéns professora pelo trabalho fantástico e fundamental! Experiencia positiva de relações humanas.”

Dinorá Moraes – “Boa tarde, colegas! Live importante!”

Sônia Mara Ogiba – “Carmem sempre muito orgulho pelo teu trabalho de pesquisa e atuação nesse campo de Direitos Humanos.”

Assista a live aqui – Youtube, Facebook.

Fonte: Portal Adverso




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